domingo, 21 de abril de 2013

Ômega 3 - uma família de benefícios!


A Agência Brasil divulgou esta semana uma pesquisa, realizada pela Universidade de Harvard, sobre a interferência do ômega-3 na dieta e saúde dos brasileiros. O estudo sugere que homens e mulheres acima de 65 anos e que consomem peixes ou frutos do mar com  ômega 3 têm chances de viver em média 2,2 anos a mais. O consumo de produtos com esse tipo de ácido graxo também pode contribuir para reduzir o risco de mortalidade (em 27%) e de doenças cardíacas (em 35%).


1 – O ômega-3 reduz o nível do colesterol, fortalece o sistema imunológico, auxilia o aprendizado, a memória e a concentração, melhora o humor, previne problemas do intestino e crises respiratórias. Até que ponto você concorda com esta informação? É possível explicar o por quê de alguns desses benefícios?

Em primeiro lugar devemos esclarecer que o termo ácidos graxos ômega-3 refere-se a vários ácidos graxos desta família, sendo os ácidos linolênico, eicosapentaenoico (ou EPA) e o docosahexaenoico (ou DHA) os representantes mais importantes. São ácidos graxos poliinsaturados que não podem ser sintetizados no organismo humano, por isso chamados de essenciais. Portanto, tem que ser ingeridos na alimentação.
Estas informações estão corretas, e com embasamento científico de tais benefícios.
A existência de um teor elevado do ácido DHA no cérebro e retina sugere que este exerce um papel importante no sistema nervoso e visual.
Eles previnem doenças cardíacas por alterar a composição lipídica da placa arterial(que causa o “entupimento” da artéria e posterior infarto ou derrame),por reduzir a formação de triglicerídeos pelo fígado e aumentar discretamenta o HDL (bom colesterol).


2 - Em qual quantidade ele deve ser consumido diariamente para surtir efeito na saúde?

As informações científicas atuais não possibilitam uma estimativa unânime de valores para ingestão. Recomenda-se, de uma forma geral, que 10% da ingestão de energia deva ser na forma de ácidos graxos poliinsaturados. A Sociedade Internacional para Estudo dos ácidos graxos e lipídios estabelece 2,2g/d de ácido linolênico e de 0,65g/d de EPA e/ou DHA. Já o Conselho de Alimentação e Nutrição dos EUA recomenda 1,6g/d para homens e 1,1g/d para mulheres de ácido linolênico.

3 – O ômega-3 está associado ao sistema imunológico do corpo, como alimento protetor. Podemos fazer uma associação da substância com as doenças do sistema imunológico, como linfoma e leucemia?

O EPA e o DHA possuem função anti-inflamatória, inibindo a produção corporal de fatores que atuam na inflamação. Vários estudos estão sendo conduzidos com o uso do grupo ômega 3 juntamente com drogas antineoplásicas no tratamento de neoplasias de mama, intestino, melanoma, próstata e pulmão. Devemos aguardar o resultado destas pesquisas, que parecem ser promissoras.

4 – Quais são os peixes que estão no acesso do consumidor com mais concentração de ômega-3?

Nem todas as espécies de peixes tem a mesma composição em ácidos graxos.sendo, em geral, maiores os percentuais em peixes marinhos que nos de água doce. Peixes de água fria (salmão, sardinha, arenque) são mais ricos que os de regiões tropicais.

5 – As pessoas relacionam a imagem do peixe com o ômega-3, mas existem outros alimentos que contêm essa substância em taxas expressivas?

O peixe  é o único alimento com teores elevados de ácidos graxos ômega 3. A linhaça contém 30-40% de gordura, e destas, em torno de 50% é ácido linolênico.O  óleo ou farelo de linhaça pode ser utilizado na formulação de ração animal com o objetivo de aumentar a concentração de ômega 3 nas aves e ovos.
Em menores quantidades temos os óleos de canola e soja que contém acido linolênico, mas os valores não se comparam ao encontrado nos peixes.

6 – E o ômega-6? Existem prejuízos ao consumi-lo?

O termo ômega 6 também se refere a vários ácidos graxos, sendo os ácidos linoleico e araquidônico os representantes mais importantes. A ingestão elevada de ácido linoleico nas dietas ocidentais, proveniente da utilização de óleo de soja e milho como fonte de gordura, causou elevação da produção de ácidos poliinsaturados desta família nos nossos organismos, pois na composição destes óleos mais da metade é ácido linoleico.
Alguns trabalhos recentes associam o consumo elevado de ômega 6 ao desenvolvimento de neoplasia de mama, mas os dados são conflitantes e mais pesquisas se tornam necessárias. Outros trabalhos mostram que uma dieta rica em gordura saturada e ômega 6, e com baixo consumo de ômega 3 predispõe a doenças cardíacas como Infarto e cerebrais, como AVC.

Entrevista cedida para: Vanessa Botega
                                    Imprensa - DNA Assessoria


segunda-feira, 8 de abril de 2013

NUTRIÇÃO ENTERAL

   Poucas pessoas sabem o que é uma nutrição enteral, muitos ainda têm receio pelo desconhecimento. Por isso vou explicar um pouco deste tipo especial de nutroterapia que realizo, principalmente, nos pacientes internados.
   A Nutrição enteral  tem o objetivo de fornecer as necessidades calóricas e proteicas para recuperação do paciente. Geralmente ela é prescrita quando a pessoa não consegue ingerir o mínimo necessário pela via oral. Pode ser oferecida por umas das vias abaixo:


   A via mais utilizada é a nasoentérica, causando um certo desconforto na região da orofaringe e podendo precipitar tosse, irritação de garganta e predispor ao apareciemtno de sinusite quando utilizada por um longo período.
   Caso o paciente não tenha uma perspectiva de retirada da sonda nasoentérica em 1 mês (4-6 semanas), opta-se pela realização de gastrostomia, uma passagem realizada através de endoscopia, de maneira rápida e eficaz, com menor desconforto para o paciente e melhor facilidade de manutenção para quem vai administrar a dieta.
   A jejunostomia é realizada mais em grandes cirurgias do aparelho digestivo, quando o cirurgião percebe maior risco de complicações na fase de recuperação, ele já faz uma jejunostomia durante a cirurgia para garantir a alimentação imediata.
   Por todas as vias e sondas utilizamos dietas especializadas industrializadas, realizando o cálculo das necessidades de maneira individual e considerando as doenças pré-existentes dos pacientes. O Governo do Estado do Rio Grande do Sul fornece algumas dietas especiais, mas a espera pode chegar a 3 meses.
   Devemos lembrar que a nutrição enteral pode ser temporária, que quando o paciente tiver em melhores condições para se alimentar sozinho ou após realizar tratamento com a fonoaudióloga a sonda é retirada facilmente.
   Alguns pacientes com problemas neurológicos necessitam manter uma complementação da alimentação pela sonda por tempo indeterminado.
   Na dúvida, procure sempre orientação de uma nutricionista especializada em nutrição enteral ou um médico nutrólogo.